Sunday, April 06, 2008

Ontologia como princípio ordenador para a Gestão do Conhecimento - uma proposta para pensar a web em base filosófica autêntica! (2)

palavras sublinhadas remetem ao respectivo conteúdo na wikipedia

A
Gestão do Conhecimento pode ser encarado como um dos ramos da ciência mais antigos que se tem notícia. Uma primeira tentativa foi magistralmente empreendida por Aristóteles no quarto século anterior ao Fato de Cristo, ainda que de forma infusa em outras disciplinas como nos tratados de Lógica (Organom, Categoria e Analíticos) e de Física e, talvez sem o perceber, tratou disso em sua Metafísica.

Em artigo anterior neste blog explanei a respeito da forma com que a disciplina vem sendo tratada nas universidades lá nas fronteiras do conhecimento, exatamente num imaginário encontro entre a lógica pura e a filosofia do conhecimento, lá onde a ontogenia deve transparecer como fonte de inspirarão para entender a complexa manifestação cultural humana e só então começar a entender a importância da informação situada, ordenada aos fins a que se propõem: agregar valor ao ente humano, na categoria maior, limite superior, de pessoa humana. O conhecimento que se busca deve se aproximar e não se afastar da realidade, do verdadeiro, onde quer que esteja.

Infelizmente a cultura científica ainda não despertou para a magnetude que o assunto merece, continua circularizando suas ações nas multiplicidades de filigramas de linguagem, apegado a disciplinas isoladas como lingüística, antropologia, Semiótica. Está sempre muitíssimo atrás do dinâmico e competitivo serviço (delivery) de Tecnologia da Informação, com suas comunidades de compartilhamento (ainda caóticos) de informação, as tentativas de ordenamento em regras de fato e de jure, guias de boas práticas de gestão de processos e de negócios, robôs de busca semântica, e muitos outros. Enquanto não se preenche a enorme lacuna, pioneiros especulam sobre a nova realidade, a realidade virtual, ora no sentido otimista como Pierry Levy (Cibercultura, O que é realidade virtual?), ora do pessimismo pela perda de alteridade.

Uma tentativa válida de extender as (frias) regras de sintaxe ao intricado jogo do significante/significado na compreensão da realidade, foi dada pela semiótica, mas um escritor de notória erudição em Brasília me asseverou que a matéria caiu em certo ostracismo com a adoção incondicional ao estruturalismo, leia-se Marlou Ponty. é como se se quisesse desvendar os mistérios da literatura e da arte, desfazendo, por exemplo, a estrutura orgânica e coesa de um clássico em fragmentos de signos e ícones em busca de um 'padrão' comum de comunicação. Uma rápida passagem na Wikipedia é suficiente para perceber as limitações dessa disciplina. Segundo a enciclopédia livre, o saber pode ser constituído por uma dupla face: A face semiológica ou semiótica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das palavras). A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas afetas. Da Grécia até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém, posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia). Os problemas concernentes à semiótica podem retroceder a pensadores como Platão e Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os trabalhos paralelos de F. de Saussure e C. S. Peirce , a semiótica começa a adquirir autonomia e o status de ciência."

Charles Sanders Peirce (1839 - 1914) postulou a teoria da interpretação pela tríade do sujeito: signo-objeto-interpretante ('He defined semiosis as "...action, or influence, which is, or involves, a cooperation of three subjects, such as a sign, its object, and its interpretant, this tri-relative influence not being in any way resolvable into actions between pairs.' in: "Pragmatism", Essential Peirce 2: 411; 1907). Era pragmático, então, talvez pela influência do positivismo, tinha esperança na lógica como dos mais altos ramos da ciencia do conhecimento , capaz de dar significado a toda realidade objetiva, verdadeira.

Ferdinand Saussure (1857 - 1913) é considerado o pai da lingüística. Era dualista, i.e. compreendia o mundo como duas realidades distintas entre sujeito e objeto... Rather a word is only a "signifier," i.e. the representation of something, and it must be combined in the brain with the "signified," or the thing itself, in order to form a meaning-imbued "sign." Saussure believed that dismantling signs was a real science, for in doing so we come to an empirical understanding of how humans synthesize physical stimuli into words and other abstract concepts.

A partir daí os principais seguidores da disciplina optaram pelo pragmatismo... A visão predominante pode ser resumida nos escritos de um de seus principais ícones, Umberto Eco... pensamento marcado pela visão teísta ou agnóstica...predominância das relações contratuais sobre o consenso e a representação. Desconstrução do helimorfismo... resultou no niilismo... diante da impossibilidade de conciliação...postura cínica, centrada no indivíduo (sujeito absoluto): não há mais lugar para as realidades transcendentais e então vai imperar a cultura do narcisismo e hedonismo, tão comum na cultura ocidental.

Em apresentações díspares como da turma de mestrandos da UnB (Congresso Internacional de Ciências da Computação) e proficionais do ramo (em Seminário de Ontologia na Web) percebe-se nitidamente algo em comum, a disparidade entre as disciplinas 'ortodoxas', secas, da linguagem computacional (modelo lógico-matemático) e a 'heterodoxia' típica, suave e sistêmica, diria até por vezes analógica, das ciências simbólicas humanas. Nos primeiros a busca dos controles sobre os processos, meio de domesticar e canalizar as informações, mais ou menos como os expert em patologia clínica que que dissecar (ou facetar) o corpo enfermo para obter um diagnóstico estático e depois injetar o remédio necessário. De outro tem-se o terapeuta eclético, sagaz depurador das condições internas e ambientais, suas estruturas e relações, numa visão sistêmica do sujeito e suas relações intersubjetivas (e transcedentais?), na tentativa de entender os conteúdos informacionais existentes e necessários numa sociedade em constante transformação.

Entre as duas posições, um público perplexo. Que caminho tomar? como conciliar os dois universos? Certamente o início das resposta deverá vir de uma esforço nunca suficientemente empenhado de integração das ciências exatas e humanas.

O futuro estará nas decisões tomadas hoje, então as informações que que consolidarem hoje ditaram as informações que farão fatos no amanhã.

A título de especulação tomemos os principais problemas que afligem a humanidade, quais seriam os quatro maiores problemas dos próximos 20 anos. Imaginemos os seguintes, não exaustivos mas plausíveis: crescimento demográfico desordenado, envelhecimento da humanidade, volatilidade dos capitais e distribuição de densidade informacional.

Numa suposta web semântica que intermediasse a comunicação entre duas comunidades políticas de poder decisório, como a transmissão dos conhecimentos locais, globais e pessoais se daria em momentos de paz ou de guerra?

A solução dos pragmáticos poderia vir em coisas do tipo medição dos poderes, segurança alimentar, segurança ambiental... estaria tudo esquematizado para atender o homem como animal... IRACIONAL, exatamente do homem que é a medida do que come (Feubach, uma das principais inspirações de Marx), nada mais que isso!

Em contraposição ao estruturalismo oporia o personalismo cristão...

Ser pessoa é por analogia, ser partícipe da divindade, o ser por excelência, verbo, ato puro.

#texto em construção, opiniões inteligentes serão bem vindas!#



Saturday, March 29, 2008

Ontologia como princípio ordenador para a Gestão do Conhecimento - uma proposta para pensar a web em base filosófica autêntica! (1)

"A ontologia faz o nexo entre o ente e o logos no sentido de espírito. Ontológico é o termo que indica o ser como tal em sua coincidência com a verdade, uma vez que esta é o ser em seu logos. Já ôntico é o termo que designa o ente como uma determinação do ser e de seu logos, i.e., em sua diferença do ser" (Molinaro 2000).

Passou-se a fase de encantamento com a capacidade meramente operacional da Tecnologia da Informação do final do século moribundo: do fazer eficiente como sinônimo de simplesmente executar "qualquer coisa", mas com extrema rapidez. Com a web 2.0, é chegado o momento de entramos definitivamente para era do conhecimento "verdadeiro", mais autêntico, de qualidade, penetrando no significado de todas as coisas, físicas e aquém física. Será preciso coragem e determinação, a começar pela delimitação do domínio da verdade, sem a escusa cínica de Pilatos.

Repassando as teses sobre ontologia publicadas pelo Departamento de Computação da Unb observei tendência de se buscar a origem do termo como explicação para o entendimento da linguagem humana, o que o homem quer expressar em sua vivência, suas necessidades e desejos e, a partir daí, a tentativa de interpretar os diversos significados de um conhecimento ou dado em termos lógicos, se possível lógico-matemáticos, para então estruturá-los num algoritmo computacional que fosse capaz de codificar e transmitir as informações na medida exata do que o usuário-manda-chuva necessite. Seria o sonho do almejado entendimento final entre todo webmaster corporativo e o seu cliente final, seja este um gestor executivo, o diretor de uma escola ou simples usuário pessoal.

Informação "de qualidade" obviamente é dificílimo de definir, pressupõem outros requisitos ou valores, um conteúdo de formação. Formação no sentido de agregar valores a pessoas exatamente como elas são, pessoas, seres. Implica no entendimento do ser em sua totalidade, o ser e o ente, e daí a ontologia. Campo próprio da metafísica. O dado "bruto" deve ser processado, avaliado, contextualizado para só então virar informação. Ora se o homem é um ser cultural, racional, que vive do conhecimento que ele mesmo gera e é gerado, forma e é formado, então não há como se falar de informação senão como informação para o ser, em sua unidade e diferença, objeto da metafísica.

Não seria este o caminho natural de pesquisa? Entretanto os caminhos escolhidos tem sido bem diversos, mais para o ceticismo, quando muito um racionalismo auto-suficiente, destituído de valores, muito menos das noções de transcedentais de Aristóteles. A solução buscada parte do princípio (talvez pragmaticamente plausível mas filosoficamente duvidoso) da falseabilidade de Propper, uma visão positivista que coloca a ciência no seu devido lugar (com suas limitações) mas não delineia avanços concretos

Para não cair no vazio das eternas lacunas do saber, a tese do Sr. Ribeiro (sobre a aplicabilidade de ontologias para o desenvolvimento de softwares, UnB, 1996), por exemplo, optou pelo evolucionismo. O mestrando em ciencias da computação optou por esta solução como a forma mais dsatisfatória de sair do impasse gerado entre o que ele considerou as duas principais correntes da filosofia críticas para compreensão da "verdade": relativismo e o "fundacionismo". Sem entrar no mérito caríssimo da evolução biológica darwiniana - vez que levado pelo paradigma do criticismo-cientificista-dogmático e daí ao lamentável confronto impróprio entre razão e fé, pareceria uma solução satisfatória, não fosse o equívoco gerado pela noção de verdade. O termo fundacionismo , muito utilizado na tese, não foi muito feliz. Pode levar-nos à associação leviana com o fundamentalismo - conforme alardeado pela grande mídia inconsequente, vinculando-a com a radicalidade estúpida dos xiitas ou a crendice ingênua criacionistas americanos. Talvez o termo pudesse ser melhor traduzido em heli-morfismo (conceito de Molinaro), que representa nada menos que de toda a doutrina clássica desde Platão e Aristóteles até Tomaz de Aquino e Hegel, enfim, da própria metafísica.

Por ironia do destino, o termo (heli = sol) que remete ao centro do universo presupõem uma filosofia centrada num núcleo original único e irradiante, justamente o sonhado por Copérnico, autor da lei heliocêntrica do universo, e defendido por Galileu. Mas hoje o que se vê não é mais uma filosofia mas incontáveis doutrinas fragmentárias que desembocam no relativismo caótico. Em vez de conhecimento prevalece a doxa, mera opinião.

A referida tese naturalmente exerce apenas um exercício despretensioso, nas palavras do autor, no capítulo em que resume a base histórico-filosófica do conhecimento e da ontologia. Mas o que se depreende das linhas de pesquisa acadêmica é a preponderância por compreender o conhecimento em termos meramente lógicos, se possível lógico-matemáticos, daí a preferência , por exemplo, na área da linguística e da antropologia, por autores relevantes mas francamente naturalistas, como Marlou-Ponty ou Lévy-Strauss. Pode ser um caminho menos difícil mas certamente oposto ao que vemos propondo vez que despersonaliza o homem, descontextualizando-o de sua cultura (e muito menos seus feitos).

O que propomos é o reavivamento do sentido teleológico da filosofia clássica, particularmente a tradição iniciada por Aristóteles, o grande sistematizador do conhecimento, precursor do método científico e também idealizador da tradição da metafísica iniciada como logos platônico. Mas isso é assunto para outros páginas mais.



Sunday, February 10, 2008

Disseminando conhecimento na rua: como levar cultura aos PDAs (pocket book)

Sites especializados fornecem canais de assinatura para PDAs


A web fornece diversas opções de canais de assinatura para os pequenos aparelhos portáteis, chamados PDAs ou palmtops. Tenho um modelo relativamente simples, dos mais baratos, o Palm Tungstein E2 que roda o sistema operacional "clássico" OS 5, proprietário da Palm. Apesar de sua simplicidade tecnológica, roda a menos de 100 Mz, o aparelhino vem dano conta do recado - e boto quente nos recursos. Destaco aqui, na proposta deste blog cultural e cibernético, as possíveis soluções de integração homem-PC-PDA, especialmente a possibilidade de navegação offline de um portátil, a custo zero.

Experimentei o Avant Go, que descobri no site da BBC. Este serviço permite, após cadastro no site e instalação de software próprio, fazer assinatura de varios canais em assuntos como informática, notícias, esporte e outros. Uma vez marcada as suas opções,
faz-se a tranferência em bloco de todo o conteúdo das páginas, atualizadas desde a última sincronização feita. A sincronização pode ser diária, semanal ou por sincronização realizada. E pronto! pode navegar calmamente no palm onde estiver, sem a paranoia dos kiloreais/minuto de custo das ligações via Embratel (ou celular).

Pena que parecem haver poquíssimas opções culturais internacionais e menos ainda no Brasil em tempos de governo hiper popular. Se alguem souber, comunique-nos!

Em tempo, é possível manter um enorme banco de textos (de qualidade!), livros e até enciclopédias no aparelhinho, agrupados por assunto e manuseados de diversas formas, ao gosto do usuário e conforme sua disposição, com tamanho da letra, alinhamento vertical ou horizontal (retrato e paisagem), cor de fundo, etc. Dos tres leitores (e-readers) que instalei, o mais legal foi o da Mobipocket que permite realçar e listar separadamente fragmentos do texto, configurar botões de atalho (de utilidade maior do que se imagina!) e até manusear figuras, a partir de textos em pdf, html, word e muitos outros. Por incrível que pareça o aplicativo consegue arrumar tudo numa telinha diminuta. Já pegui artigos cientificos do Cirello, manuais, legislações, a biblia inteira, a constituição, livros inteiros de clássico com Hegel e muitíssimos outros mais.

Em vez de ouvir rap em MP3 na rua porque não apreciar uma boa leitura!

Fevereiro/2008